8 de Março: SintraSuper reforça luta pelo fim do feminicídio e da escala 6×1

Neste domingo (8), manifestações pelo Brasil celebraram o Dia Internacional da Mulher. Em Salvador, o ato aconteceu com uma caminhada na Barra. Com o tema “Mulheres Vivas, em Luta e Sem Medo” e foco no fim do feminicídio e da escala 6×1, a manifestação teve a presença da CTB Bahia e várias entidades classistas, como o SintraSuper, que se uniram à UBM (União Brasileira de Mulheres) e diversas entidades feministas.

“Esse é uma no importante com as eleições de outubro. Precisamos reeleger o presidente Lula e melhorar a composição da Câmara Federal e do Senado, para as pautas das mulheres e da classe trabalhadora sejam contempladas. Nós sabemos das dificuldades com a tripla jornada e, por isso, exigimos o fim da escala 6×1. É importante dizer aos homens: chega de nos matarem. Basta de tanto feminicídio no Brasil”, afirmou Rosa de Souza, presidenta do Sindicato e da CTB Bahia.

Várias dirigentes e diretores do SintraSuper estiveram presentes. “Trazemos a força das trabalhadoras de supermercados para fortalecer a luta pelo fim do feminicídio e da escala  6×1. e por mais mulheres na política, para defender as nossas causas”, destacou Josélia Ferreira, secretária de Gênero, Raça e Etnia do Sindicato.

A deputada federal Alice Portugal reforçou a importância do tema deste ano. “Estamos nas ruas, unidas e em defesa da vida das mulheres e contra o feminicídio. Como presidenta da Comissão dos Direitos Humanos, adotei essa luta como principal bandeira. Nossa luta emancipacionista é para emancipar toda a sociedade”, disse, , ao lado da vereadora Aladice Souza.

Presente na atividade, o coordenador-geral a APLB, Rui Oliveira, levou sua solidariedade às mulheres. “8 de Março é dia de celebrar e reforçar o combate a todo tipo de violência contra a mulher. Esse problema não é só da mulher. É de todos nós, homens, também”, defendeu.

CHEGA DE FEMINICÍDIO

O Brasil está entre os países que lideram os casos de feminicídio no mundo, segundo segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas pra os Direitos Humanos (ACNUDH).

Em 2025, o total de vítimas, registrado, chegou a 1.568 mulheres. Isso representa uma alta de 4,7% em relação a 2024, consolidando um aumento contínuo na última década. Aproximadamente, 4 mulheres foram assassinadas por dia em razão de gênero; seis em cada 10 mulheres assassinadas (62,6%) eram negras; cerca de 13% das vítimas em 2025 já tinham medida protetiva de urgência, o que aponta para a necessidade de maior eficácia na proteção.

CHEGA DE ESCALA 6×1

Se a redução da jornada de trabalho (sem redução salarial) é importante para todos, para as mulheres trabalhadoras tem maior impacto ainda, pois são submetidas à dupla e, até, tripla jornada. Por isso, a luta pelo fim da escala 6×1 ganha centralidade. Vale lembrar que, além do trabalho, existe vida e o direito ao descanso, ao lazer, à cultura e à convivência familiar e social, fundamental para dignidade humana.

O Censo de 2022, do IBGE, mostrou que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e aos cuidados de pessoas. Os homens dedicam 11,7 horas. Entre mulheres pretas e pardas, a carga é ainda maior: 1,6 hora a mais por semana do que entre mulheres brancas. Mesmo quando cumprem jornadas formais de 40 a 44 horas semanais, as trabalhadoras seguem acumulando trabalho não remunerado.