Categoria comerciária mais vulnerável a problemas psicológicos

Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Um estudo da Alper Seguros revela que quem trabalha no comércio varejista está entre os mais propensos a desenvolver alguma doença psicológica no ambiente de trabalho. Cerca de 31% desses trabalhadores estão em alto risco, podendo apresentar ideação suicida, enquanto 46% possivelmente enfrentam algum sofrimento psicológico. Apenas 17% demonstraram estar mentalmente saudáveis e 4% apresentam algum ponto de atenção para a saúde mental.

Realizada através do programa “Trilha da Mente”, a pesquisa avaliou sete setores da economia: concessionárias de rodovias, agronegócio, indústria e equipamentos, saúde, tecnologia, comércio e varejo. “Fatores como alta pressão por resultados, longas jornadas, instabilidade econômica do setor e baixo suporte organizacional estão diretamente relacionados a esse quadro”, afirma Paula Gallo, diretora de Gestão de Riscos e Saúde da Alper.

Para a secretária de Saúde do SintraSuper, Carine Dias, o problema tem a ver com a sobrecarga de trabalho, no caso dos supermercados. “A jornada excessiva gera estresse e ansiedade, assim como lojas cheias em determinados períodos, aumentando a pressão sobre o pessoal. É o resultado da precarização do trabalho nas atividades profissionais”, afirma.

Na campanha salarial desse ano, o Sindicato reivindica ações das empresas para garantir a saúde mental da categoria e um ambiente de trabalho mais saudável com ações preventivas. Também defendemos o fim da Escala 6×1, que contribuiu para o adoecimento das pessoas. É importante a redução da jornada de trabalho para gerar mais empregos, mais saúde e mais qualidade de vida.

OUTROS SETORES

No setor de saúde, 8% demonstraram tendências suicidas; 31% revelaram vivenciar algum sofrimento mental permanente; 26% apresentam algum ponto de atenção; e 35% estão com a saúde mental em dia. Na indústria, 54% dos trabalhadores não enfrentam qualquer problema com sua saúde mental; 7% demonstraram estar em alto risco.

Entre os trabalhadores de concessionárias, apenas 5% precisam de ajuda psicológica imediata; 35% necessitam de algum acompanhamento; e 30% estão saudáveis. As áreas tecnologia e agronegócio mostram um perfil semelhante: menos de 10% necessitam de atenção imediata por estarem em alto risco; 20% estão em algum risco; e mais de 40% demonstram estar psicologicamente saudáveis.

CUMPRIR A NR-1

O estudo reforça a necessidade de adaptação das empresas à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Trata-se de uma importante aliada na proteção da saúde mental dos trabalhadores brasileiros. Em agosto de 2024, o Ministério publicou a Portaria nº 1.419, que atualiza a norma, incluindo, pela primeira vez, os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) ocupacionais. As empresas têm até maio de 2025 para se adequar às novas exigências, sob pena de multas, embargos e interdições.

com informações do Mercado & Consumo